quarta-feira, 17 de junho de 2009

E Começa a São Paulo Fashion Week














E hoje começa o evento de moda mais importante da América Latina e a 5ª maior semana de moda do mundo: a São Paulo Fashion Week. Mas o que isso significa?
Podem falar o que quiserem mas graças ao Paulo Borges(organizador da SPFW e agora também do Fashion Rio) é que a moda brasileira se profissionalizou e tem a visibilidade que tem hoje. A São Paulo Fashion Week funciona como uma vitrina dos estilistas brasileiros e a cada ano traz mais compradores e jornalistas estrangeiros, aumentando assim a exportação da moda nacional.
A moda brasileira ainda está engatinhando, se comparada com os grandes centros como Paris e Londres, mas está conseguindo construir uma imagem brasileira e fugindo de esteriótipos como banana, futebol e carnaval. Sim, nós temos futebol, banana e carnaval mas também temos as rendeiras do nordeste, a moda urbana de São Paulo, a moda praia carioca, e tantos outros que se fosse citar aqui isso seria um artigo e não um post.
Nossa tradição de desfiles vem dos chás no Mappin, concorridos pelas damas das altas classes que queriam saber as últimas novidades vindas de Paris. Tivemos os desfiles da Rhodia, da Casa Canadá, Phytoervas Fashion, Morumbi Fashion e atual São Paulo Fashion Week. Com a visibilidade do Morumbi Fashion, a moda começou a se pulverizar, primeiro com a Semana de Moda Barra Shopping(atual Fashion Rio), desfiles de novos talentos como o Amni Hot Spot, a Semana de Moda Casa de Criadores, o Rio Hype e atualmente com desfiles em várias partes do Brasil, mostrando a imensidão e a diversidade desse país continental. Vale a pena citar aqui o Dragão Fashion, no Ceará, que está a cada ano mais profissional e revelando grandes estilista do Norte-Nordeste do país.
A profissionalização da moda brasileira também é recente, somente no inicio da década de 90 tivemos uma faculdade de moda, e hoje elas se espalham pelo Brasil a fora e esse setor se tornou tão importante que até a Universidade de São Paulo, com toda sua arrogância(eu falo isso por direito porque sou Uspiano) abriu um curso de Moda, melhor dizendo Têxtil e Moda, partindo agora para um novo perfil de profissional: um que entenda a cadeia como um todo, desde a fiação até a pós-venda. O que falta agora é o jornalismo de moda se profissionalizar, pois muitos acham que podem escrever sobre moda, que moda é só descrever o que se nas passarelas e revistas internacionais mas moda é muito mais do que isso, moda é sociologia, antropologia, marketing, história, enfim, a MODA DEVE SER LEVADA A SÉRIO.

E hoje eu deixo uma citação de Ronaldo Fraga, do release do desfile Corpo Cru:

"Do que o mundo menos precisa hoje é de mais uma coleção, mais um desfile ou mais uma lista de tendências de moda"

terça-feira, 2 de junho de 2009

Cansei de ser Fake

Finalmente criei um blog. Qual o objetivo? O que vai ter nele? Ainda não sei mas com certeza conterá minha indagações e revoltas e algumas informações básicas sobre moda(super clichê já que eu estudo isso), comportamento, política, música e o que mais eu achar válido

Mas quem sou? Meu nome é Edgar, tenho 24 anos e curso o 7º semestre em Bacharelado em Têxtil e Moda na Universidade de São Paulo(sim, a USP tem um curso de Moda, é na Zona Leste mas tá valendo)...tá bom...quer saber mais? espera eu lançar minha autobiografia

Agora vamos ao que interessa: Porque Cansei de ser Fake?

Essa é uma marca que criamos(Aretha, Kledir e eu) na faculdade e é uma crítica a sociedade de aparências em que vivemos, onde praticamento tudo é fake e as pessoas se preocupam mais em parecer algo e se tornaram vazias e sem conteúdo. Pensando nisso e parodiando a banda Cansei de Ser Sexy surgiu a Cansei de ser Fake. Não tenho a pretensão aqui de revelar grandes verdades ou lançar grandes discussões filosóficas mas sim como dizemos na faculdade "apenas fazer uma análise crítica da sociedade"....se é que é possível ser crítico hoje em um mundo de mulheres-frutas e coisas afim.....Mas continuo tentando

A seguir um trecho do livro A sociedade do Espetáculo de Guy Debord que ilustra bem a sociedade de aparências em que vivemos

"A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social levou, na definição de toda a realização humana, a uma evidente degradação do ser em ter. A fase presente da ocupação total da vida social pelos resultados acumulados da economia conduz a um deslizar generalizado do ter em parecer, de que todo o "ter" efetivo deve tirar o seu prestígio imediato e a sua função última. Ao mesmo tempo, toda a realidade individual se tornou social, diretamente dependente do poderio social, por ele moldada. Somente nisto em que ela não é, lhe é permitido aparecer."(DEBORD, Guy - A Sociedade do espetáculo)