quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Semana de Moda da M.A.C. concorre com a tradicional Semana de moda de Nova York

A marca de cosméticos M.A.C., antiga patrocinadora da Mercedes Benz Fashion Week(Semana de moda de Nova York) resolveu lançar uma semana de moda que irá concorrer com a tradicional semana de moda novaiorquina.
Apesar de o evento não fazer parte do calendário oficial da moda internacional e ocorrer nos mesmos dias da MBFW, de 10 a 17 de setembro, alguns estilistas já trocaram de evento, entre eles Erin Fetherston. Segundo o site UOL, entre os motivos dessa troca estariam os altos custos de realizar um desfile na MBFW, onde somente o aluguel de uma tenda(local onde são realizados os desfiles) não sai por menos de U$25,000 dólares , já no evento produzido pela M.A.C. esse custo é reduzido a zero
Cabe agora a nó esperarmos e ver como os fashionistas irão se dividir entre as duas semanas

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Ensaio sobre o Luxo

“Luxo Para Todos”, esse era o slogan da campanha da marca de jeanswear Cavalera, mas afinal o que é luxo? É possível o luxo ser para todos sem se descaracterizar? Nas próximas linhas, farei um panorama sobre o que é o luxo e sua atual posição na sociedade de consumo.

O luxo, segundo Lipovetsky e Roux(2005), pode ser verificado desde a pré-história, quando os homens realizavam grandes banquetes e festas, sem pensar no amanhã, não guardando assim provisões. Com o surgimento das sociedades primitivas, o luxo se caracteriza com o presentear, chegando-se a atravessar grandes distâncias somente para ofertar presentes a outros povos, conseguindo assim prestígio e honrarias. Nas sociedades hierarquizadas, o luxo se transforma no acúmulo de bens, porém esse acúmulo não substitui o costume de “presentear”. Com o crescimento das religiões e a hierarquização delas, presta-se grandes homenagens aos deuses principais, com oferendas de jóias, comidas e roupas ornamentadas, tudo para garantir uma vida luxuosa aos deuses em suas moradas celestiais. Os monarcas se espelhavam nesses deuses e viviam uma vida de grandes ostentações, promovendo grandes banquetes, festas e obras públicas e os nobres que patrocinavam essas obras eram homenageados com grandes honrarias e ganhavam status na sociedade. Os túmulos desses monarcas e nobres contavam com grandes tesouros, pois se acreditava que eles poderiam usufruir deles no post mortem, dando assim uma aura de sagrado aos objetos de luxo.

Durante a renascença, surgem os mecenas, nobres que patrocinavam grandes artistas e os tratavam com grandes honrarias, em troca esses artistas pintavam retratos e esculpiam bustos desses nobres, que eram ornados com jóias e pedras preciosas, e esses bustos e pinturas tornam-se os novos objetos de luxo, dando assim grande status aos seus elaboradores. Na segunda metade do século XIX, Charles Frederic Worth revoluciona a maneira de “fazer roupa”, ao invés das nobres dizerem o que querem vestir e o costureiro executar, Worth elabora as peças e às apresenta as nobres, que chegavam a ter que ser apresentadas por uma de suas clientes para poderem ser atendidas por ele, elevando assim a figura do costureiro a de artista. Assim nasce a haute couture, que durante cem anos dominou a moda e foi simbolo de status e prestígio.

Com o surgimento do prêt-à-porter, a haute couture perde espaço na moda e as grandes maisons, para sobreviverem, estabelecem regras rígidas e unem-se a grandes conglomerados industriais, os chamados conglomerados do luxo. Esses conglomerados mantêm os desfiles de haute couture, porém agora com outra finalidade: a de manter o status da marca para poder vender produtos mais acessíveis como perfumes e bolsas. Mesmo antes do surgimento do prêt-à-porter, alguns estilistas chegaram a licenciar produtos com seus nomes. A maison Chanel sobreviveu durante muitos anos somente com a receita gerada pela venda do perfume Chanel nº5. Um dos maiores conglomerados do luxo atual é a LVMH(Hennessy Moët Louis Vuitton), que agrega produtos de luxo de vários segmentos, como vestuário e acessórios(Louis Vuitton e Christian Dior), bebidas (Don Perignón e Hennessy), perfumes, jóias, relógio entre outros.

O processo de licenciamento de produtos tornou o luxo mais acessível, onde quem não dispõe de milhares de Euros para comprar um vestido de haute couture, pode ter sua “parcela” de luxo comprando, por exemplo, um vidro de Chanel nº 5, que custa “apenas” algumas dezenas.Mas afinal o que é o luxo? Segundo Bourdier(2000), o luxo é aquilo que a classe inferior não pode dispor e que para a classe superior é cotidiano e serve para diferenciação social :

Los gustos obedecen asía una especie de ley de Engel generalizada: a cada nivel de la distribución, lo que es especial y constituye un lujo inaccesible o una fantasía absurda para los ocupantes del nivel anterior o inferior, deviene trivial e común, y se encuentra relegado al orden de lo que se da por normal debido a la aparición de nuevos consumos, más especiales y más distintivos y esto, una vez más, incluso fuera de toda búsqueda intencional de la singularidad distintiva y distinguida

Já para Lipovetsky e Roux(2005), há vários tipos de luxo, desde os mais elitistas até os mais acessíveis e populares:

(...)o luxo “estilhaçou-se”, não há mais um luxo, mas luxos, em vários graus, para públicos diversos. Por isso , ao menos ocasionalmente, o luxo aparece como um bem ao alcance de quase todos os bolsos(...). De um lado, reproduz-se, em conformidade com o passado, um mercado extremamente elitista; de outro, o luxo enveredou pelo caminho inédito da democratização de massa. (p.15)

isso nos faz pensar sobre o papel do luxo na sociedade e sobre a “aura espiritual” carregada por ele, que é desejada por todos. Segundo Fiorin(2003), o que é luxo é imposto pelo discurso dominante:

No imaginário da classe média, o tema do “luxo” e do “requinte” é figurativizado por “baixelas de prata, porcelanas, tapetes persas, poltronas de veludo, quadros, etc”. Porque o discurso tem essa função citativa, a liberdade discursiva é muito pequena, quando não é nula(p. 41).

Podemos concluir que o objeto de luxo é algo que fornece status e honra a quem possui, e que o “luxo superior”, se é que se pode falar assim, se caracteriza pela raridade e tradição do objeto e o “luxo inferior” é a repetição desse objeto superior, seja sua cópia ou outro objeto desenvolvido pela mesmo fabricante ou artista. E aqui eu lhe pergunto: é o possível o "luxo para todos"???


Bibliografia


BOURDIER, Pierre. Lógica de la distinción In: CROCI, Paula; VITALE, Alejandra(copiladoras) Los cuerpos dóciles: hacia un tratado sobre la moda. Buenos Aires: La marca, 2000,

FIORIN, José Luiz. Linguagem e ideologia. São Paulo: Editora Ática, 7ª ed, 7ª impressão, 2003

LIPOVETSKY, Gilles; ROUX, Elyette. O Luxo eterno – da idade do sagrado ao tempo das marcas. Trad. Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 2ª reimpressão, 2005


Sitegrafia


www.lvmh.com

quarta-feira, 17 de junho de 2009

E Começa a São Paulo Fashion Week














E hoje começa o evento de moda mais importante da América Latina e a 5ª maior semana de moda do mundo: a São Paulo Fashion Week. Mas o que isso significa?
Podem falar o que quiserem mas graças ao Paulo Borges(organizador da SPFW e agora também do Fashion Rio) é que a moda brasileira se profissionalizou e tem a visibilidade que tem hoje. A São Paulo Fashion Week funciona como uma vitrina dos estilistas brasileiros e a cada ano traz mais compradores e jornalistas estrangeiros, aumentando assim a exportação da moda nacional.
A moda brasileira ainda está engatinhando, se comparada com os grandes centros como Paris e Londres, mas está conseguindo construir uma imagem brasileira e fugindo de esteriótipos como banana, futebol e carnaval. Sim, nós temos futebol, banana e carnaval mas também temos as rendeiras do nordeste, a moda urbana de São Paulo, a moda praia carioca, e tantos outros que se fosse citar aqui isso seria um artigo e não um post.
Nossa tradição de desfiles vem dos chás no Mappin, concorridos pelas damas das altas classes que queriam saber as últimas novidades vindas de Paris. Tivemos os desfiles da Rhodia, da Casa Canadá, Phytoervas Fashion, Morumbi Fashion e atual São Paulo Fashion Week. Com a visibilidade do Morumbi Fashion, a moda começou a se pulverizar, primeiro com a Semana de Moda Barra Shopping(atual Fashion Rio), desfiles de novos talentos como o Amni Hot Spot, a Semana de Moda Casa de Criadores, o Rio Hype e atualmente com desfiles em várias partes do Brasil, mostrando a imensidão e a diversidade desse país continental. Vale a pena citar aqui o Dragão Fashion, no Ceará, que está a cada ano mais profissional e revelando grandes estilista do Norte-Nordeste do país.
A profissionalização da moda brasileira também é recente, somente no inicio da década de 90 tivemos uma faculdade de moda, e hoje elas se espalham pelo Brasil a fora e esse setor se tornou tão importante que até a Universidade de São Paulo, com toda sua arrogância(eu falo isso por direito porque sou Uspiano) abriu um curso de Moda, melhor dizendo Têxtil e Moda, partindo agora para um novo perfil de profissional: um que entenda a cadeia como um todo, desde a fiação até a pós-venda. O que falta agora é o jornalismo de moda se profissionalizar, pois muitos acham que podem escrever sobre moda, que moda é só descrever o que se nas passarelas e revistas internacionais mas moda é muito mais do que isso, moda é sociologia, antropologia, marketing, história, enfim, a MODA DEVE SER LEVADA A SÉRIO.

E hoje eu deixo uma citação de Ronaldo Fraga, do release do desfile Corpo Cru:

"Do que o mundo menos precisa hoje é de mais uma coleção, mais um desfile ou mais uma lista de tendências de moda"

terça-feira, 2 de junho de 2009

Cansei de ser Fake

Finalmente criei um blog. Qual o objetivo? O que vai ter nele? Ainda não sei mas com certeza conterá minha indagações e revoltas e algumas informações básicas sobre moda(super clichê já que eu estudo isso), comportamento, política, música e o que mais eu achar válido

Mas quem sou? Meu nome é Edgar, tenho 24 anos e curso o 7º semestre em Bacharelado em Têxtil e Moda na Universidade de São Paulo(sim, a USP tem um curso de Moda, é na Zona Leste mas tá valendo)...tá bom...quer saber mais? espera eu lançar minha autobiografia

Agora vamos ao que interessa: Porque Cansei de ser Fake?

Essa é uma marca que criamos(Aretha, Kledir e eu) na faculdade e é uma crítica a sociedade de aparências em que vivemos, onde praticamento tudo é fake e as pessoas se preocupam mais em parecer algo e se tornaram vazias e sem conteúdo. Pensando nisso e parodiando a banda Cansei de Ser Sexy surgiu a Cansei de ser Fake. Não tenho a pretensão aqui de revelar grandes verdades ou lançar grandes discussões filosóficas mas sim como dizemos na faculdade "apenas fazer uma análise crítica da sociedade"....se é que é possível ser crítico hoje em um mundo de mulheres-frutas e coisas afim.....Mas continuo tentando

A seguir um trecho do livro A sociedade do Espetáculo de Guy Debord que ilustra bem a sociedade de aparências em que vivemos

"A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social levou, na definição de toda a realização humana, a uma evidente degradação do ser em ter. A fase presente da ocupação total da vida social pelos resultados acumulados da economia conduz a um deslizar generalizado do ter em parecer, de que todo o "ter" efetivo deve tirar o seu prestígio imediato e a sua função última. Ao mesmo tempo, toda a realidade individual se tornou social, diretamente dependente do poderio social, por ele moldada. Somente nisto em que ela não é, lhe é permitido aparecer."(DEBORD, Guy - A Sociedade do espetáculo)